domingo, 22 de fevereiro de 2009

Todo Domingo


Apartir deste domingo apresentaremos duas entrevista: com ator e um apresentador.

Começamos com Danilo Gentili



Danilo Gentili é um dos homens de preto do programa Custe o Que Custar (CQC), da Band, e caiu nas graças do público com o personagem Repórter Inexperiente.
Divulgação
Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque revolucionaram o humor da televisão brasileira em 2008. No comando do "Custe o Que Custar" ("CQC"), da Band, o trio diverte e apresenta, a cada semana, quadros baseados em um humor crítico e inteligente.
Assim que surgiu, o "CQC" foi fortemente comparado ao "Pânico na TV", da RedeTV!, por conta das brincadeiras sarcásticas e a "falta de noção" com alguns entrevistados. Para Danilo Gentili, um dos homens de preto do programa, só existe uma grande diferença entre os dois: "O apresentador do "CQC" é careca, e do "Pânico" tem implante", disse em entrevista ao Famosidades.
Nascido em Santo André, Danilo, de 29 anos, nunca pensou que um dia pararia na televisão. Mas o caso é que o jovem, descoberto em teatros de stand-up comedy, foi selecionado para dar vida ao Repórter Inexperiente, um dos quadros da atração.
Sem receio e nenhuma vergonha, o Repórter Inexperiente já entrevistou nomes como Gretchen, Datena, Roberto Cabrini e Leão Lobo e arrancou risadas dos telespectadores com suas trapalhadas e perguntas imprevistas.
O quadro saiu do ar, mas Danilo continua firme e forte no "CQC", que começa o novo ano no início de março cheio de novidades, tanto no cenário quanto nos quadros, ainda mantidos em segredo pela Band. Confira abaixo a entrevista completa com o humorista:
FAMOSIDADES: Você sempre se imaginou fazendo humor?
DANILO GENTILI - Eu caí neste universo de surpresa. Nada do que eu fiz na vida foi planejado para parar na televisão. Eu sempre escrevi muito e segui o pensamento de fazer o que eu vivo. Desde o colégio, eu escrevia situações e idéias em um caderno. Com a chegada da internet, eu passei essa prática para o blog. A grande mudança é que no caderno eu guardava para mim, ficava na gaveta, e no blog as pessoas podiam ler.
Como sempre gostei de stand-up comedy , procurava estar de olho no que estava acontecendo no universo do humor. E daí comecei a fazer comédia na faculdade, de lá passei para bares e depois para o teatro. Um dia, fui parar na televisão. Então, nunca foi planejado. Sempre fiz o que tive vontade.
Como foi chamado para o "CQC"?
Um dos produtores do programa foi assistir meu quadro de stand-up no bar que eu estava em cartaz. No final do show, ele veio me perguntar se eu gostaria de participar do programa. Então, fui fazer um teste para o Repórter Inexperiente. Logo de cara eu tive de entrevistar o Agnaldo Timóteo, mas eu achei que tinha dado tudo errado, porque ele levantou no meio da entrevista e saiu. Eu nem estava pensando que ia rolar, por conta da situação, mas eu acabei sendo chamado e a matéria até foi para o ar.
Você já conhecia os outros meninos do "CQC" antes de entrar no programa?
Já. Eles também faziam bastante show em bar. Quase todos vieram do stand-up, então nós acabamos nos conhecendo nos teatros da vida.
O que mudou para você depois do "CQC"?
Eu já tinha meu público por conta dos shows de stand-up nos teatros. Mas é claro que depois do "CQC" ele aumentou muito. Se antes eu enchia o teatro com mil pessoas, agora é muito mais. Até meu nome mudou depois do "CQC". Eu não sou mais Danilo Gentilli. Eu sou "CQC". As pessoas me chamam assim na rua.
Quais as diferenças que você, como repórter, percebe entre a versão brasileira do programa e as versões de outros países?
Tem uma diferença principal: a língua. Mas o público também se difere. A grande parte do povo brasileiro não assiste o "CQC", porque o povo não é politizado. Essa massa dá audiência para o "Zorra Total". Eles preferem o humor do cara que olha para a câmera e fala um bordão.
Você acha que o "CQC" está mudando a forma de o público aceitar o tipo de humor crítico?
Sim, eu acho que o programa está formando um novo público. Um público mais politizado, que entende e aceita esse humor. E essas pessoas, quando ficarem mais velhas, não vão gostar do "Zorra Total", por exemplo.
Qual foi a personalidade que você mais gostou de entrevistar?
Eu ainda não parei para olhar para trás e analisar as entrevistas todas. Ainda tem muita coisa que quero fazer. Mas, com certeza, a Dercy (Gonçalves) foi marcante. Eu fui a última pessoa que a entrevistou antes dela morrer. O Paulo Maluf também foi bem legal. Aliás, foi bem legal participar das eleições no "CQC".
Quando você fazia o quadro do Repórter Inexperiente, algum entrevistado reagiu de forma inesperada depois que descobriu que o repórter não é tão inexperiente assim?
Todas as entrevistas do Repórter Inexperiente foram boas. Era uma adrenalina pesada, porque eu levava a pessoa até o limite, até ela começar a me achar idiota. Quando chegava nesse ponto, eu voltava e fazia parecer sério. Daí eu voltava com ela para o limite de novo. Acho que só teve um entrevistado que ficou bem desconfiado mesmo. Foi o Leão Lobo. Ele ficava perguntando "isso é brincadeira, né?". Legal também foi a entrevista do Roberto Cabrini (jornalista da Record). Se eu fosse inexperiente mesmo, ele seria o cara que teria me ajudado.
Por quê?
Porque ele ficava dando dicas para mim. Ele falava "olha, faz assim, e não assado".
O stand-up comedy é um gênero que precisa sempre estar renovado, ainda mais com a internet. Os vídeos dos shows vão parar na rede e a piada acaba ficando "batida". De onde você tira inspiração para montar seus quadros?
Eu acho que a pessoa que gosta de stand-up acredita que qualquer coisa pode virar comédia. Por mais banal que seja, por mais polêmica, de alguma forma ela se torna engraçada. Para meus shows, eu sigo uma linha intuitiva. O humor é algo subjetivo, então a improvisação encaixa totalmente. Eu tiro inspiração da minha vida, de situações que vivo no cotidiano. E o mais importante: eu tento selecionar aquelas que sei que o público vai se identificar.
Você costuma assistir outros shows ou o "CQC" estrangeiro (o programa tem versões na Argentina, Chile, Itália e Espanha)?
Eu evito, porque tenho medo de "engessar". Por exemplo, outro dia fui assistir o Repórter Inexperiente da Europa e o cara falava igualzinho a mim. Eu não gosto de ver nem outros stand-ups, com medo de, mesmo inconscientemente, copiar o cara.
Quem você ainda gostaria de entrevistar e por quê?
Eu gostaria de entrevistar o José Sarney, ainda mais agora que ele reassumiu a presidência do Senado. O homem não "larga o osso", é uma grande figura. Também queria falar com o Collor (o ex-presidente Fernando Collor de Mello) e o Clodovil, mas na condição de político, porque todo mundo o entrevista como gay. Queria fazer diferente. O Sylvester Stallone também seria legal, ainda mais agora que ele vai rodar um filme aqui no Brasil.
O que você diria para quem quer começar a fazer stand-up comedy?
Não faça achando que você vai ganhar dinheiro. Não se afobe. Faça porque você gosta. Stand-up não é coisa de ator, é coisa de autor. Eu não sou ator e nem quero ser. Tem de ser tudo na base da humildade.
Você já recebeu proposta de alguma outra emissora?
Na verdade, sim. Duas emissoras já me sondaram, mas eu nem penso em sair da Band. O "CQC" está construindo uma coisa muito legal, e eu quero fazer parte disso.
O que você acha da comparação que fazem do "CQC" com o "Pânico na TV"?
Eu acho que é tudo humor. O "Pânico" é um show de humor e o "CQC" é outro. Pode ter outra forma e outro conteúdo, mas tudo acaba no mesmo objetivo, que é fazer as pessoas rirem. As duas atrações são engraçadas. Só tem uma grande diferença entre os dois: o apresentador do "CQC" é careca, e do "Pânico" tem implante.
Por Nina Ramos