quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Quase beijo" de 'Caminho das Índias' não emplaca em trama

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Já é uma marca de Glória Perez conflitar culturas diferentes em seus folhetins. Mas, a julgar pelas primeiras semanas de Caminho das Índias, talvez seja difícil fazer uma história de amor como a de Bahuan e Maya, de Márcio Garcia e Juliana Paes, atrair a atenção no horário nobre.
Qualquer casal de mocinhos que se preze troca beijos apaixonados nas cenas melosas. Mas o "quase beijo" proposto pela autora não concretiza o romance entre os dois. E contribui para que o "herói" Bahuan pareça ainda mais fraco.
Até porque, na maior parte das cenas, o rapaz aparece com a cabeça baixa e uma expressão apática. Diante disso, não é surpresa que a trama até agora não tenha conseguido ultrapassar os 39 pontos de audiência do primeiro capítulo. Até a terceira semana, a média do folhetim gira em torno de 34.
Apesar de ainda em seus primeiros capítulos, Caminho das Índias já lembra a última novela de Glória Perez, América. Ao menos, no que diz respeito aos protagonistas. Na época, Deborah Secco e Murilo Benício não conseguiram emplacar o casal Sol e Tião e o buraco deixado pelos mocinhos foi logo preenchido pelo peão Dinho e sua musa, a fogosa viúva Neuta.
Dessa vez, quem pega carona na apatia do casal principal é a quase novata Tânia Khalil e o mais experiente Rodrigo Lombardi. A atriz, em sua terceira novela, mostra segurança em sua atuação. E as cenas com o ator, que já fez novelas na Band, Record, SBT e na própria Globo, indicam que o casal tem tudo para ganhar mais espaço que os insossos Maya e Bahuan.
Até porque o conflito amoroso de Raj e Duda se torna mais crível diante da total distância entre o sistema de castas e a cultura brasileira.
Explicar a divisão social e outros aspectos da cultura indiana, aliás, poderiam deixar a história arrastada e cansativa. Mas Glória se saiu bem quando decidiu usar como escada as meninas Karina Ferrari e Nahuana Costa, que encarnam respectivamente as doces Anusha e Malika, e o jovem Cadu Paschoal, que vive o maltratado Hari.
É através da curiosidade dos personagens mais novos que os papéis defendidos pelo elenco mais experiente explicam as particularidades da Índia. Além de justificar as "lições", facilita o entendimento dos conflitos principais. Por exemplo, é muito mais fácil perceber o que é ser um intocável através das cenas da família de Hari do que das sequências do mocinho Bahuan.
Elenco, afinal, é o que Caminho das Índias tem de melhor. Na Índia ou no Brasil. Por lá, nomes como Lima Duarte, Tony Ramos, Osmar Prado, Laura Cardoso e Nívea Maria garantem a qualidade cênica. E, por aqui, a psicopata Yvone caiu como uma luva para a talentosa Letícia Sabatella. Ainda mais ao som de Martelo Bigorna, composição de Lenine, que embala as vilanias da personagem.
Chega a ofuscar a presença de Débora Bloch, que vive a tola Sílvia na história, e até disfarça o fato de ser pouco crível uma mulher de meia-idade hospedar uma amiga que esbanja sensualidade sem perceber as mudanças no comportamento do próprio marido depois que a visita chegou.